O Paradoxo do Analfabetismo Bíblico

Enquanto surgem a cada dia novas formas de ler a Bíblia, em múltiplas versões e novas tecnologias,  o analfabetismo bíblico vem crescendo. É o que diz uma pesquisa do Barna Group feita no ano passado, que mostrou que 22 % dos adultos norte-americanos acreditam que Noé foi casado com Joana D’Arc.

Outras questões inseridas na pesquisa mostraram o tamanho do problema: 36% acham que Sodoma e Gomorra eram casados, enquanto que quase metade dos entrevistados, 45%, desconheciam que o apóstolo Paulo também era conhecido por Saulo. Já na pergunta se João Batista era um dos 12 apóstolos, menos da metade, ou 48% puderam dar a resposta correta, afirmando que o personagem bíblico não era um dos apóstolos.

Outro indicador do extremo desconhecimento e da fé superficial  que muitos ostentam foi revelado quando os entrevistadores perguntaram se a Bíblia, o Corão e o Livros dos Mórmons eram diferentes expressões das mesmas verdades espirituais: 16% disseram que sim.

“Sua espiritualidade é extremamente ampla, muitas vezes superficial e sempre convincente”, disse David Kinnaman, presidente do Barna Group, ao jornal USA Today. O grupo é conhecido como “o Gallup do mundo da fé.”

Outra questão mediu o grau de conhecimento bíblico com a questão de  quais seriam os cinco primeiros livros da Bíblia.  42% responderam corretamente dizendo os nomes dos livros do Pentateuco, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Entre os cristãos protestantes, esse percentual subiu para 61%.

O levantamento também testou o interesse dos americanos na visão e orientações bíblicas. Via de regra,  mostrou-se pouco interesse em receber os conceitos e sabedoria vindos da Escrituras. Apenas um assunto de uma série, revelou que desperta o interesse em mais de um quarto dos adultos – doenças e morte. Segue-se a isso, em menor escala, conflitos familiares, assuntos relacionados à paternidade, romance e sexualidade, namoros e relacionamentos, a influência da tecnologia e como lidar como o divórcio.

A grande maioria, 77%, no entanto, concorda que a moralidade na sociedade está em declínio. Esse número sobe para 87% entre os protestantes. Quando perguntados qual seria a causa dessa degradação moral, muitos respondem que a falta de leitura bíblica é a causa primária (32%). Outras razões apontadas são a influência da mídia (29%), corrupção e ganância corporativas (25%).

Finalmente, dois terços dos adultos concordam sobre a importância do ensino dos valores bíblicos nas escolas públicas.

Se essa pesquisa mostra um quadro sóbrio entre a população americana, uma nação de tradição protestante, o que dirá no Brasil, onde o sincretismo e misticismo proliferam a cada dia?

A pesquisa mostra claramente que a população sabe da importância das escrituras na vida diária mas paradoxalmente só a a procura, quando o faz, em momentos de extrema angústia e dor, como no caso de doenças e morte. Por que isso acontece? Algumas possíveis respostas serão desenvolvidas em nosso próximo post.

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